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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA MADALENA, Homem, de 15 a 19 anos
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Rascunho De Um Sonho


 

                                                                     

Anônimo saudosista,

 

Primeiramente gostaria de lhe informar da não existência de sentimentos passados, o sentimento é uma macula eterna e presente e constante no espaço destinado as emoções.

Dando seqüência as informações, eu não escrevo mais textos como antigamente. Talvez eu não ame como antigamente. Talvez eu fosse outro, talvez eu nunca me ache. Talvez. Eu posso estar mentindo e nem sei. 

Agora escrevo lapsos da subconsciência coletiva ou interna, escrevo pequenos detalhes, escrevo da engrenagem quase que invisível que faz o tempo acontecer. Eu mesmo já perdi o discernimento do contexto real e do fantasioso, não me cabe julgar e na verdade nunca coube.

Enxergo as mini-histórias até como uma prepotência minha, como se eu fosse capaz de construir uma moral edificante e única à disposição da humanidade e daquilo que chamamos de amor. Creio que isso é que se chama humildade poética...

Depois de um tempo perdido nas linhas entrelaçadas e no significado de cada palavra, percebi que escrever é muito mais simples do que simplesmente tentar explicar com frases, orações e provérbios aquilo que pode ser atestado com um silêncio sincero acompanhado de uma euforia regrada e bem distribuída.

Classifico-me agora como poeta da vontade, do impulso, do arrepio literário que clama por um papel em branco e da liberdade de me calar a qualquer instante.  



Escrito por F ê B * às 19h34
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Bondade do acaso

 

Existem pessoas que param para os carros passarem.

Existem carros que param para as pessoas passarem.

Quando os dois se encontram é um excesso de gentileza tão bonito que jamais poderá ser chamado de perda de tempo.



Escrito por F ê B * às 00h08
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Sobre o “fim” das coisas.

 



Mesmo sabendo que tudo continua como tudo continua, mesmo sabendo que o domingo vai acabar em segunda, mesmo sabendo que um vazio não impede a vida de existir, mesmo sabendo que o mesmo muda e que o saber é apenas uma ilusão, dói.

E dói te ver indo de costas, cabelo no ombro, carregando aquilo que já não é mais meu, nem seu, nem de ninguém. É como se um império inteiro deixasse de existir depois do pôr-do-sol. Mais o drama não interessa para o “fim” das coisas, não confere mais glamour à cena que antecede os letreiros, talvez apenas ajude a buscar um pouco mais de lágrimas. Nada que não seque, nada que não sirva para regar o passado.

O “fim” das coisas é uma flor que ainda não se enxergou como flor. O perfume de nós não morre, apenas se espalha.    

 

 



Escrito por F ê B * às 17h02
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Mundo Cão

 

 

Um dia eu vou ter um cão. O nome dele? Vai ser Churras, por que eu acho que cachorro quente não é lá um modo tão digno de morrer. Te transformam em salsicha, te condimentam inteiro e, ainda por cima, em alguns estabelecimentos, te prensam, como se a humilhação até o presente instante não houvera sido suficiente.

Churras é mais cão, muito irônico por sinal, já que o dono aqui preza os ideais vegetarianos. Mas também não é por que prezo que meu cachorro vai ter a alcunha de Glúten, por favor. Isso seria assinar o atestado de chacota canina em todas as praças, postes e pet shops. Arrisco até em dizer do burburinho desagradável e desconcertante da fila de espera do veterinário, dos minutos atordoantes que antecederiam a anunciação do nome do dono e do nome do cão.

Poupo-te disso, Churras, e te espero.        



Escrito por F ê B * às 11h10
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da série poesias feitas, mas jamais verbalizadas

 

Lágrimas Roladas

 

 

Até as escadas rolantes de metrô choram quando o peso é demais.

Até elas.

 



Escrito por F ê B * às 06h26
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Burguesia Contemporânea

 

 

       Meus pensamentos são socialistas, meus discursos são de esquerda, meus preconceitos são fundamentalistas e meu dia-a-dia é burguês. Marxista de boutique, um militante de boteco. A verdade é que ando bêbado de falsas revoluções e insisto em ser panfletário do caos. Sou o resultado torto de um modelo imposto, a ressaca sem cura de uma democracia de cabresto. Apesar de tudo, não consigo me sentir culpado. Talvez eu devesse freqüentar as missas de domingo. Melhor não, o mundo não precisa de mais um purgatório ambulante.



Escrito por F ê B * às 20h22
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Carta de Utilidade Pública

 

 

Caros Amigos Marcianos,

 

Existe uma tênue linha que divide o estereotipo de exagerado escrito por Cazuza da cruel cafajestagem holywoodiana. Acredite, por mais que elas digam, mulher alguma quer um poeta 24 horas. O romantismo enjoa, depois de um tempo elas são capazes de explodir a tiro de bazuca qualquer rima que se atreva a cruzar seus ouvidos. Experiência própria, eu mesmo tenho uma modesta coleção de poemas veteranos mutilados. O ministério da vagina adverte: rosas vermelhas em excesso causam gastrite. E então amigo, você vai de fofo, meigo e carinhoso a um chiclete de masculinidade com dois gumes.

Já do outro lado do paredão de fuzilamento, camaradas, o cafajeste. Esse estilo não enjoa o sexo oposto. Na verdade, a impressão é de que vicia. Ingenuidade, essa impressão barata só sucede pela velha regra de posse presente em todo e qualquer relacionamento saudável e insano. O cafajeste não se deixa possuir e o alter ego do mulheril não admiti tal blasfêmia. Ele pisa em ovos e faz gemadas, enquanto ela se deixa ser pisada acreditando que essa vida de tapete é só um breve momento que antecede a sua posse definitiva. Logo, o pensamento machista cria a celebre e imbecil idéia de que o universo feminino não precisa sequer de um único verso, e que bastam 3 minutos em média de prazer para que o papel de macho alfa seja cumprido com louvor. Sejamos francos, homens, se assumir cafajeste é decretar a condição de nômade. Depois de um tempo, o alter ego dela simplesmente desisti de virar gemada. A busca de novos tapetes se faz necessária, e apesar de prazerosa em termos libidinosos, é cansativa. Construir universos de mentiras é muito menos rentável do que dizer uma verdade cósmica.

O fato é que elas não querem nem poesia e nem uma fila com senha para 3 minutos em cima de um tapete cheirando a ovo. Se elas pudessem escolher, aposto que escolheriam não querer e assim criariam em pleno solo terrestre um Vênus utópico onde triunfariam os vibradores e a tpm. (Mas elas não podem, espero que não). E se você chegou até aqui pensando que, por isso ser uma carta de utilidade pública, uma fórmula secreta seria revelada, esqueça. Se contente em ser uma linha e certifique-se de que ela seja tênue.

Abraços de Plutão.



Escrito por F ê B * às 20h40
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Filosofia de um Copo Americano Vazio

 

 

 

 

O chinelo de flanela categoricamente posto ao lado da cama revela traços de uma época áurea de organização, mas a parte desse micro cosmo de ordem reina uma órbita alienada de balbúrdia material. Sua janela é um mural para o mundo onde as pessoas deixam suas digitais, seus nomes e seus passados. A antologia completa de Vinicius de Moraes é o criado mudo de sua nada burocrática bagunça. As listas telefônicas completam o serviço de apoio, as traças dançam ao ritmo de um único raio de sol que se infiltra por uma fresta retirante da persiana carcomida. Seu armário é quase uma autobiografia, sua infância está amontoada em uma caixa de alguma marca que provavelmente nem existe mais ou foi comprada por alguma multinacional. O piso é agora quem pisa, cansou de ser pisado. Areia, terra e mar se acumulam na sola furada do chão. O colchão tem vida própria, é o kama sutra dos ácaros. 13 copos americanos vazios preenchem toda uma prateleira, revelam o surto boêmio de cleptomania sincera, os 10% pertencentes a cada bêbado. Da visão fosca de um dos 13 copos a vida feita um borrão faz da loucura deturpada pela sociedade uma realidade esquizofrênica e visceralmente pura. O calendário preso com fita crepe na parede poderia ser um sinal de lucidez temporal, mas esse Abril pertence aos anos 80. Sua geladeira é um nicho ecológico, uma espécie nova se reproduz a cada segundo: o leite é iogurte, o vinho é vinagre e o queijo prata é roquefort. Cartas e contas e jornais formam o tapetinho de boas vindas, três quadros tortos na parede em cima da vitrola chamam atenção, são recortes sem nexo entre si, nomes e mais nomes, premiações e fotos. Uma caixa ao lado da cama guarda livros ainda plastificados. Agora, um último detalhe, em cima do soneto de criado mudo, uma carta fechada salva de ser tapete. Um selo internacional e um remetente feminino. O fato de o envelope estar meio aberto mostra uma quase curiosidade, talvez uma saudade momentânea.   



Escrito por F ê B * às 19h48
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Picadeiro

 

 

 

 

Meu bastidor não sou eu do avesso, nem de ponta cabeça, nem meus pensamentos de coxia e muito menos a face nua atrás da cortina... O bastidor de mim mesmo é a platéia, meu script. Quando ela ri, gargalho. Quando ela fala, sou só tímpanos. Bato palmas se preciso for. Sim, antes de qualquer ato sou um poeta-diplomata, e quando não ouço mais aplausos, não choro, lamento pelo fim de mais uma turnê e continuo em cartaz. Mas há no roteiro dessa peça de vida uma grande pincelada de verdade, me refiro ao fato de que palco e platéia já não se distinguem mais. Melhores atores são vocês, meus caros, eu pelo menos faço isso conscientemente.



Escrito por F ê B * às 20h43
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Rio de Janeiro

 

 

 

 ...talvez seja assim mesmo, uma ciranda, roda gigante, uma tenda de circo. Rir é tão mais fácil, mas não rio pela facilidade, rio porque faz cócegas no canto da boca, rio porque agora todo mês é janeiro e todo dia é dia primeiro... rio porque agora o tempo gira sem ponteiros, e seis meses passam assim, feito cantovento...



Escrito por F ê B * às 19h09
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Atira-te ou Me jogo

 

 

 

 

...e o sorriso sem motivo é a liberdade de dizer sim, é o não questionamento do agora, é negar a filosofia inerente ao homem e gozar a vida mais do que ela nos goza.  



Escrito por F ê B * às 07h44
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Três Pontinhos

 

 

 



Moça triste, cabisbaixa e sentada na beira da estrada, iluminada vez sim vez não pela luz do farol de um caminhão de angústias. Encostada no fundo do ônibus com seu radinho de pilha esperando o ponto final da espera. Ao seu lado não se vê nada, nem ninguém, nem ela mesmo, é só um perfil de fumaça. Seus olhos já não piscam, abrem e fecham decretando o rosto da garoa. O som do chinelo se arrastando mesclado com o cinema mudo de uma bituca que se atira contra o vento é a música do seu dia-a-dia. Preto e branco são cores demais, exagero, prefere a melancolia fosca de um copo vazio. Já não dorme mais, tem medo da insônia. A Saudade mora longe, nunca em si mesmo, as reticências são seu único modo de dizer que ainda vive...



Escrito por F ê B * às 14h41
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Prosa ao Acaso

 

 

Eu não sou eu, sou o momento: aconteço, passo em silêncio, grito entrelinhas. Agora mesmo sou preguiça e nesse instante um ponto final.



Escrito por F ê B * às 20h38
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Luva de Borracha



Catadores de concha da Praça por do Sol, catadores de lixo

 

Limpadores da consciência, placa de aviso:

 

“não jogue, não suje, não estrague”

 

Mas a negação não funciona

 

Menos ainda a afirmação

 

Apelemos então ao silêncio do ato

 

Ao barulho ensurdecedor da lata amassada

 A garrafa quebrada do vidro errante

 Ao rótulo vencido do produto comido

 

Queimemos as bitucas de cigarro e as mãos que as largam

 

Gritemos o brado mudo de carregar um saco preto


 Luto pela humanidade, nós mesmos



Escrito por F ê B * às 08h00
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Introdução a Vênus

 

 

          Ah (!), as mulheres, dentre todos seus feitos e feitiços também nos fazem suspirar e utilizar, quase sempre, o clichê da interjeição “ah” acompanhada de seus nomes. Para enxerga-las é preciso uma apurada técnica de método braile e um certo grau de esquizofrenia mesclado com uma pitada de lucidez (a gosto). Revelam-se relevos e planaltos, ameaças selvagens e indícios de civilização, não necessariamente nessa ordem. Mulheres são como estradas inteiras, ruas nuas e avenidas congestionadas; são curvas perigosas e um constante risco de desabamento. Vielas, passarelas, becos sem saída; a contra mão, a fila dupla e a ultrapassagem pela esquerda. São a insanidade e a razão em perfeita harmonia, sinfonias completas entorpecidas pelo silêncio de não haver silêncio, o ato de monologar em pleno diálogo. Mulheres são deliciosamente indecifráveis, anjos sem asas, tumores benignos. Nos põe entre vírgulas na boa gramática da vida. São adjetivos substanciais; predicados sujeitos ao verbo e artigos indefinidos mais-que-perfeitos, a redenção da sintaxe ao monumento mulher. Obra máxima daquele que nos criou, a brisa da manhã em um composto de orvalho com uma fina seresta. O vento que nos traz, o sopro que nos leva. A pecadora original e o motivo de todos os pecados. A inspiração, a transpiração e a respiração ofegante. Mulheres são noite e dia, noite e dia, noite e dia: incontestáveis dúvidas. Procuro nelas algo de triste, algo de real, algo que possamos chamar de algo sem parecer um profano clandestino. Mas é isso que somos: forasteiros, foras da lei e  eternos peregrinos. Habitantes de Marte a caminho de Vênus com a única certeza ambígua de que as mulheres são tudo isso e muitas outras coisas. Só o que a gente nunca sabe é que coisas são essas.



Escrito por F ê B * às 13h00
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